Meus olhos teimavam em se fechar, me rendi. Não agüento mais arrastar minhas pernas. Sentia que as carregava mais do que elas a mim. Tento respirar pela boca, mas até isso já está difícil, sinto a terra invadindo meu pulmão. Desde quando estou assim? Nem para chorar tenho forças.
Solidão.
Acho que caí, que estou no chão. Luto mais uma vez contra meus olhos. Consigo vencê-los por segundos, mas foi o suficiente para ver que continuo em pé e andando. Penso em me deixar cair, mas não faz mais diferença. Toda a dor se incorporou ao meu ser. Deixo a ventania confusa me levar. Há tempos que já não sei se estou seguindo o caminho certo. Toda essa poeira dificultou minha visão. Mais uma vez, venço meus olhos. Procuro por qualquer indício das pedrinhas que me guiavam, mas não consigo ver nada. Novamente deixo as pálpebras cair. O desespero acorda como fogo e tenta me domar, mas me rendo tão facilmente que ele logo passa, não achando graça em travar uma luta com alguém que não se defende nem luta.
Tento me lembrar de como fui parar nesta situação, mas não consigo pensar direito. Recordo-me de ter apenas que trilhar o caminho de pedras. De saber que seria difícil, mas acreditar que no final tudo daria certo. Uma fagulha acende. Sinto meu coração bater mais esperançoso. Uma seqüência de flashbacks surge. Eram memórias que guardei de pessoas que conheci ao longo desta jornada, cujos caminhos cruzavam com o meu e vice versa. A sensação de alegria dessas lembranças percorreu meu corpo suavemente.
Amor.
De repente pingos de chuva começam a cair, transformando-se gradativa e rapidamente em gotas ligeiras, não obstante suaves. Sentia-as lavar meu rosto, meus olhos, molhar minha boca seca e rachada. A chuva abaixou a poeira, de forma que eu podia ver o caminho guiado pelas pedras. Fiquei surpresa ao me dar conta de que estava acompanhando as pedrinhas provavelmente o tempo todo.
A chuva deu lugar ao sol, que me trouxe de presente um lindo arco-íris. A força para continuar minha jornada percorria por todas as células do meu corpo e por cada pensamento que se manifestava. Uma brisa acolhedora tocou-me a face, reforçando meu sorriso, e segui caminhando.
COMO É QUE VOCÊ DIZ QUE NÃO SABE ESCREVER?
ResponderExcluir