quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rearrumando o baú. . .

Nesse caminhar da vida

Fui pega desprevenida

Com olhos ainda cerrados.

Tristeza e loucura.

Essas duas chegaram sorrateiras,

Despercebidas, adentraram

E sem pedir licença,

Sem nem mesmo avisar,

Foram aos poucos tomando posse

Do meu fragilizado ser.

Senti minha cabeça doer

E abri meus olhos.

O que via era preto: vazio.

A primeira reação normal:

Desespero, solidão.

Mas o tempo trouxe a fadiga.

E já cansada de reagir,

Sabendo que fazê-lo não traria nada,

Deixei que a calma se aproximasse,

Fazendo tudo ficar mais leve.

A dor, menos sofrida.

Agora sentia o vento me fazer companhia.

Eu me fazia companhia.

Eu me completava.

A paz invadiu meu coração.

Trazendo a razão,

E a paciência.

Nada tinha mudado,

Eu ainda estava no fundo do poço,

Mas sem perceber,

A misteriosa harmonia

Que a calma me trouxe

Fez uma luz brilhar.

Uma luz dentro de mim.

E a alegria me visitou pouco a pouco.

Meus sonhos, antes deixados de lado,

Voltaram, fervendo a determinação.

Quando menos esperei,

Estava na superfície, fora do buraco.

Iluminada pelo sol, por outros

E iluminando com minha própria luz.

Essa é a base de todo ensinamento da vida.

Isso é crescer a cada dia.

Vencendo cada desafio, por menor que pareça,

Um dia nossa luz poderá iluminar outros que precisam.

And the world Will be as one.


Em especial ao Nequi, meu amor!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Analisando . . .

Raiva.

Mas que será esse sentimento?

Tão intenso, tão lascivo. Ardente e confiante. Sedutor. Em módulo, idêntico ao amor.

Entretanto, cai pra nós camaradas (e eu também sou feita de boba) tal sentimento é um engano. Um cassino, puro e ilusório encanto.

Jogo que vicia. Tem falsos-vencedores e (todos) reais-perdedores. Uma disputa; e como qualquer outra, envolve poder. E disso as pessoas gostam. Presumo eu, é por isso que tantos caem na sua armadilha. Competição. Afirmar poder, afirmar maior capacidade perante outra pessoa. Perante alguém que fez algo não muito agradável.

Sentimento engraçado. Caos percorre o corpo, ao lado a determinação de vencer o jogo. Só um aposto curioso: pessoas que não têm aparentemente gasolina o suficiente para mover-se em algo produtivo, em questão de segundos (e até menos) geram uma combustão tão determinada que pode fazer horrores na vida de outra.

Enfim, quando a temperatura esquenta, cria-se uma razão distorcida. Tudo o que se percebe, é o que se quer ser percebido. E o que se entende. E o que se vê. E o que se pensa. Tudo girando em volta do próprio umbigo, de seus pensamentos e vontades. O ego. Ah, o melhor feitiço de todos. Problema de muitos. O poder sobe a cabeça. A inteligência sobe a cabeça. “Sou o melhor. O mais esperto”. Tomam-se atitudes nada elegantes. Espertas, para quem tem uma visão deturpada.

Porém, como o ilusório jogo que é, só entram os desocupados.

É uma bela distração para aqueles que nada tem pra fazer.

E não se engane se sou tão crítica. Sou humana, adoro relações de poder. E se conheço tão bem esse poder avassalador e seus prazeres e desprazeres, é porque dele muito já joguei. E por esse mesmo motivo, tento evitá-lo e alarmar os riscos de jogá-lo.

Mas como diz o ditado, se conselho fosse bom, conheço gente que seria mais rica que Bill Gates.