domingo, 17 de maio de 2009

O Capitalismo

A caminhada do Capitalismo, desde sua origem, está marcada com sangue. Ele vem matando a tudo e a todos, racional, fria, impetuosa, desumana e insensívelmente - assim como uma máquina.
Esta é a nossa geração, a qual o capitalismo teve tanto trabalho em construir: uma geração de aparências. Belo por fora, inteligente por fora, caridoso por fora. Mas por dentro, sem profundidade. Sem profundidade de sentimentos, de inteligência, de paixão. Por dentro, apenas um vazio, um grande vazio de personalidade, de intenções e de sinceridade - mas como ser sincero, se não há verdadeira intenção? os atos são ocos. São por ser. Porque tem de ser algo.
Esta é a geração dos atalhos. O que importam os meios? O que importam os detalhes? O importante mesmo é atingir o alvo. E, mais importante ainda, é atingí-los primeiro - antes que qualquer um. Só assim minha vida pode parecer menos vazia - conquistando fama e rótulos, que na verdade não condizem com quem eu realmente sou.
Esta é a geração do individualismo. Não existe mais sociedade, agora somos cidadãos. Cada um por si e que se ferrem os outros, pois eu me garanto. Com licença, vou cuidar da minha vida, que é mais importante. O que importam os outros se eu não tenho nada a ver com eles? Tudo o que fazemos é movido por alguma intenção pessoal. Muitas vezes ajudamos outros porque queremos nos fazer de bonzinhos para os outros e para convencer a nós mesmos.
Esta é a geração do escapismo, pois não aceitamos o fato de sermos algo tão vazio quanto uma máquina. Embora cada vez mais, queremos nos assemelhar a elas. Nossas agendas são cheias de planos e de compromissos, pois fazer nada é parar para sentir, mas só o que sentimos é um grande vazio. Só o que sentimos é que estamos perdidos.
Esta é a geração da despersonalização, da terceirização, da desvalorização da personalidade: os créditos não são dados às devidas pessoas. Agora é para a empresa que as contratou. Expressão do eu é considerado "diferença", é considerado "anormalidade", pois foge aos padrões. E o capitalismo não quer que nada fuja das suas rédeas de alienação.
Esta é a geração vazia, em que todos trabalhamos para aparentar algo que queremos ser na verdade, embora muitas vezes não o sejamos e saibamos muito bem disso. Fazemos amigos, mas não os amamos profundamente. Dizemos que conheçemos alguém, mas não sabemos nem quem somos - ou melhor, não queremos nem saber.
Esta é a geração do conformismo, reflexo da alienação a que o capitalismo nos submeteu: não adianta fazer nada, pois sou fraco. Não sou invencível ou alheio a erros como uma máquina. Por tanto, apenas irei me render, sobreviver é o suficiente.
É o capitalismo quem reina - estamos submetidos a ser escravos da nossa própria criação. Esse é o espírito do pior da guerra, em que é tanto desespero que leva a loucura. Agora, não se mata por patriotismo, ou pela vida - agora é matar por matar. Ilógica, fria, impetuosa, desumana e insensívelmente - assim como uma máquina que foi programada para repetir tal ação até que enferruje...

Um comentário:

  1. Um blog tão florido e um tema tão sério... Texto fantástico, Mikenha. Arrase na redação da UnB :X

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